Todo processo de desligamento sem justa causa passa, em algum momento, pela mesma pergunta: o aviso prévio será trabalhado ou indenizado?
A resposta parece simples, mas é justamente aqui que nascem boa parte dos passivos trabalhistas do Departamento Pessoal: cálculo com base errada, esquecimento do adicional de 3 dias por ano de serviço, recolhimento de FGTS incompleto ou pagamento fora do prazo legal.
Neste guia, você vai entender o que é o aviso prévio indenizado, quando ele é devido, como calculá-lo corretamente (com exemplos práticos), quais encargos incidem sobre o valor e, principalmente, quais erros mais comuns geram risco jurídico para a empresa.
No final, também mostramos como a tecnologia pode reduzir esse risco na rotina de admissão e desligamento. Boa leitura!
O aviso prévio é um direito previsto no artigo 487 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e serve para dar à parte que não tomou a iniciativa do desligamento um tempo mínimo de ajuste, seja para o profissional buscar uma nova colocação, seja para a empresa se reorganizar operacionalmente.
Quando esse aviso não é cumprido no dia a dia de trabalho, ou seja, quando o empregador dispensa a pessoa colaboradora sem justa causa e não exige que ele continue trabalhando durante o período do aviso, a empresa deve pagar o valor correspondente a esses dias em dinheiro.
É esse pagamento que chamamos de aviso prévio indenizado.
Na prática, a pessoa colaboradora é desligada imediatamente, mas recebe a remuneração como se tivesse trabalhado durante todo o período do aviso, seja de 30 dias, seja o período proporcional maior, conforme veremos a seguir.
Essa é a primeira confusão que costuma aparecer na rotina do Departamento Pessoal.
As duas modalidades cumprem a mesma exigência legal, mas se comportam de forma bem diferente:
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Aviso prévio trabalhado |
Aviso prévio indenizado |
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O que acontece |
A pessoa colaboradora continua trabalhando durante o período do aviso |
A pessoa colaboradora é desligado imediatamente |
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Jornada |
Redução de 2 horas diárias OU dispensa nos últimos 7 dias corridos |
Não se aplica |
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Pagamento |
Salário normal do período trabalhado |
Valor pago de uma vez, como indenização |
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Data de saída do sistema (eSocial) |
Data real do último dia trabalhado |
Data projetada, ao final do período do aviso |
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Quem decide |
Em geral, o empregador (pode ser dispensado pelo empregado, com concordância) |
O empregador, ao optar por não exigir o cumprimento |
Um ponto que gera bastante dúvida: mesmo quando o aviso é indenizado, ou seja, a pessoa colaboradora não trabalha mais naquele período, a data de saída projetada continua contando para praticamente todos os efeitos legais (isso é fundamental para o cálculo de outras verbas, como veremos mais adiante).
O aviso prévio indenizado é devido, em regra, nas seguintes situações:
O cálculo tem duas camadas: primeiro, definir quantos dias de aviso a pessoa colaboradora tem direito; depois, aplicar o valor da remuneração sobre esses dias.
Pela CLT, o mínimo é de 30 dias. Mas a Lei nº 12.506/2011 criou o chamado aviso prévio proporcional, que acrescenta 3 dias a cada ano completo trabalhado na mesma empresa, até o limite de 60 dias adicionais (ou seja, um teto de 90 dias no total).
Fórmula dos dias de aviso:
Dias de aviso = 30 + (3 × anos completos de serviço) Limite máximo: 90 dias
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Tempo de serviço |
Dias de aviso prévio |
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Até 1 ano |
30 dias |
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2 anos completos |
36 dias |
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5 anos completos |
45 dias |
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10 anos completos |
60 dias |
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20 anos completos ou mais |
90 dias (teto legal) |
A base de cálculo é a última remuneração do colaborador, incluindo, quando aplicável, médias de horas extras habituais, comissões e demais parcelas de natureza salarial (conforme artigos 457 e 458 da CLT). Não é apenas o salário-base fixo.
Valor diário = Remuneração mensal ÷ 30 Valor do aviso prévio indenizado = Valor diário × Dias de aviso
Ana trabalha há 8 meses e tem salário de R$3.000. Como não completou 1 ano, tem direito apenas aos 30 dias mínimos.
Rodrigo trabalha há 4 anos e 3 meses, com salário de R$4.500. Como só contam anos completos, ele tem direito a 4 anos × 3 dias = 12 dias adicionais.
Cláudia trabalha há 22 anos, com salário de R$6.000. Mesmo com mais de 20 anos, o cálculo respeita o teto de 90 dias (30 + 60, e não 30 + 66).
Fernanda trabalha há 3 anos, com salário de R$3.600, e a empresa propõe uma demissão por acordo.
Esse é um dos pontos que mais gera erro na prática, porque o tratamento tributário do aviso prévio indenizado é diferente do salário normal.
Desde a Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467/2017), o prazo para pagamento das verbas rescisórias, incluindo o aviso prévio indenizado, é único: até 10 dias corridos contados a partir do término do contrato de trabalho (artigo 477, §6º, da CLT).
O detalhe que importa para o DP: quando o aviso é indenizado, o "término do contrato" já é considerado imediato (a data de desligamento efetivo), e não a data projetada do fim do aviso.
Isso significa que o relógio do prazo de pagamento começa a contar rapidamente.
Se a empresa atrasar esse pagamento, o artigo 477, §8º, da CLT prevê uma multa equivalente a um salário da pessoa colaboradora, revertida em favor dele. É um passivo alto e completamente evitável com um processo bem estruturado.
A modalidade de desligamento por comum acordo, criada pela Reforma Trabalhista, tem regras próprias que impactam diretamente o aviso prévio:
Essa modalidade costuma ser usada em negociações de saída amigável, mas exige documentação clara do acordo entre as partes para evitar questionamento posterior sobre a espontaneidade do desligamento.
Depois de mapear toda a mecânica de cálculo, vale reforçar os pontos que mais aparecem em reclamações trabalhistas envolvendo aviso prévio indenizado:
Boa parte desses erros não vem de má-fé, e sim de planilhas manuais, processos descentralizados e falta de padronização entre RH, DP e folha de pagamento, principalmente em empresas com alto volume de desligamentos e contratações.
É o pagamento, em dinheiro, do período de aviso prévio que o colaborador não vai cumprir trabalhando, porque o empregador optou por dispensá-lo imediatamente.
No aviso indenizado, o colaborador é desligado imediatamente e recebe o valor correspondente ao período em dinheiro. No aviso trabalhado, ele continua na empresa durante o período, com jornada reduzida em 2 horas diárias ou dispensa nos últimos 7 dias corridos.
Divide-se a remuneração mensal por 30 para achar o valor diário, e multiplica-se pelo número de dias de aviso a que o colaborador tem direito (30 dias, mais 3 dias por ano completo de serviço, até o teto de 90 dias).
Não. Por ter natureza indenizatória, o valor não sofre incidência de INSS nem de Imposto de Renda. O FGTS, porém, incide normalmente sobre esse valor.
O pagamento deve ocorrer em até 10 dias corridos contados a partir do término do contrato de trabalho. O atraso gera multa equivalente a um salário do colaborador, conforme artigo 477 da CLT.
Não. Na demissão por acordo (artigo 484-A da CLT), o valor do aviso prévio indenizado corresponde a apenas 50% do valor total calculado.
Sim. O período é projetado como tempo de serviço para todos os efeitos legais, o que inclui o cálculo proporcional de 13º salário, férias e a base da multa de 40% do FGTS.
O aviso prévio indenizado parece um cálculo simples até que ele deixe de ser: um detalhe esquecido no número de dias, uma base de cálculo incompleta ou um prazo de pagamento perdido são o suficiente para transformar um desligamento tranquilo em um processo trabalhista.
Ter clareza sobre a regra, apoiada por processos padronizados e, sempre que possível, por tecnologia que reduza a margem de erro humano, é o caminho mais seguro para o Departamento Pessoal proteger a empresa e, ao mesmo tempo, tratar o colaborador com respeito nesse momento.
Se o cálculo do aviso prévio indenizado já é sensível quando feito manualmente, o mesmo vale para toda a jornada que envolve documentação, prazos e integrações com a folha de pagamento, tanto na saída quanto na entrada de colaboradores.
É aqui que ter um processo de Admissão Digital bem estruturado faz diferença. Com a solução de Admissão da Gupy, o Departamento Pessoal ganha:
Um DP com processos mais automatizados e padronizados na ponta da admissão tende a reduzir também os erros na ponta do desligamento, já que os dados de remuneração, tempo de serviço e histórico contratual ficam mais organizados e auditáveis.
Quer reduzir o risco de erros manuais em toda a jornada admissional da sua empresa? Conheça a Admissão Digital da Gupy e veja como automatizar documentos, contratos e integrações com a folha de pagamento.