A NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1) é a norma que estabelece as diretrizes gerais para a gestão de riscos ocupacionais no Brasil.
Ela serve como base para todas as outras Normas Regulamentadoras e determina que toda empresa com empregados regidos pela CLT precisa identificar, avaliar e controlar os riscos presentes no ambiente de trabalho por meio do PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos).
Em 2026, a NR-1 ganhou um capítulo que mudou a rotina de RH, DP e lideranças em todo o país: a obrigatoriedade de incluir os riscos psicossociais dentro do PGR.
Neste artigo, você vai entender o que isso significa na prática, quais são os prazos oficiais e como preparar sua empresa para não ser pega de surpresa. Boa leitura!
A NR-1 se aplica a todas as empresas privadas e públicas que possuem empregados contratados pela CLT, independentemente do porte ou do setor de atuação.
Não existe isenção por número de funcionários: o que muda é a complexidade exigida no PGR, que costuma ser proporcional ao tamanho da organização e ao grau de risco da atividade.
Isso significa que, na prática, times de RH, Departamento Pessoal, Segurança do Trabalho e lideranças de gestão precisam estar alinhados sobre o tema, já que a responsabilidade pela adequação não é apenas do jurídico ou da área de SST.
A atualização mais relevante da NR-1 nos últimos anos foi a inclusão explícita dos riscos psicossociais como parte obrigatória da Gestão de Riscos Ocupacionais (GRO).
A nova redação do capítulo 1.5 da norma entrou em vigor em 26 de maio de 2025, mas o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Portaria MTE nº 765/2025, prorrogou o início da fiscalização com aplicação de multas para 26 de maio de 2026, dando um ano de prazo de adaptação às empresas.
Fatores como sobrecarga de trabalho, assédio moral, metas abusivas, jornadas excessivas e falta de suporte da liderança passaram a ser tratados como riscos ocupacionais, no mesmo nível de riscos físicos, químicos ou ergonômicos.
Isso significa que precisam constar formalmente no inventário de riscos e no plano de ação da empresa.
A norma reforça que a identificação de riscos psicossociais não pode ser feita apenas "de cima para baixo".
É necessário ouvir os próprios trabalhadores, seja por meio de pesquisas, comitês internos ou canais de escuta, já que muitos desses riscos só são visíveis a partir da percepção de quem vivencia o dia a dia.
Diferente de uma auditoria pontual, a gestão de riscos psicossociais deve ser um processo vivo: reavaliado periodicamente e ajustado conforme mudanças na empresa (novas lideranças, reestruturações, metas, crises).
A NR-1 dialoga diretamente com a NR-17 (ergonomia) e com diretrizes de saúde mental no trabalho já discutidas pelo eSocial.
Empresas que já mantêm um bom histórico de SST tendem a ter menos trabalho de adaptação.
Quer saber mais sobre a NR-1? Confira no nosso infográfico gratuito:
Segundo dados do INSS, transtornos mentais e comportamentais estão entre as principais causas de afastamento do trabalho no Brasil, com aumento expressivo de licenças médicas relacionadas à ansiedade, burnout e depressão nos últimos anos.
Ambientes com alto nível de estresse crônico apresentam mais absenteísmo, presenteísmo (a pessoa colaboradora presente, mas improdutiva) e turnover.
Isso se traduz em custo direto de recrutamento, treinamento e perda de conhecimento institucional.
A discussão sobre saúde mental no trabalho ganhou força a partir de 2020, e o poder público passou a tratar o tema como pauta regulatória, não apenas como discurso de cultura organizacional.
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O descumprimento da NR-1 pode gerar autuações e multas administrativas aplicadas pelos auditores fiscais do trabalho, além de expor a empresa a maior risco em ações judiciais trabalhistas relacionadas a adoecimento ocupacional. A partir de 26 de maio de 2026, a fiscalização deixou de ser apenas orientativa e passou a poder resultar em penalidades efetivas para empresas que não tiverem o PGR atualizado com a gestão de riscos psicossociais.
Mapeie setores, funções e atividades que podem estar expostos a riscos psicossociais (ex: times com metas agressivas, alta rotatividade de liderança, jornadas estendidas).
Utilize pesquisas de clima, entrevistas e canais de escuta para identificar fatores como sobrecarga, assédio, falta de autonomia e insegurança psicológica.
Classifique os riscos identificados por probabilidade e gravidade, assim como já é feito com riscos físicos e ergonômicos.
Registre formalmente os riscos psicossociais junto aos demais riscos ocupacionais já mapeados pela empresa.
Defina responsáveis, prazos e medidas de prevenção e mitigação para cada risco identificado.
Reavalie periodicamente os riscos e ajuste o plano de ação conforme mudanças internas ou nos resultados das pesquisas de clima.
Exemplo prático:
Uma pesquisa interna aponta que o time de vendas relata sobrecarga recorrente por metas incompatíveis com o tempo disponível: esse risco deve ser registrado no inventário como "sobrecarga de trabalho por metas desproporcionais", com plano de ação que pode incluir revisão de metas, redistribuição de carteira ou contratação de reforço na equipe, com prazo e responsáveis definidos.
A NR-1 é obrigatória para todas as empresas? Sim. Toda empresa com empregados CLT precisa cumprir a NR-1, independentemente do porte, ajustando a complexidade do PGR à realidade do negócio.
Quando a fiscalização da NR-1 sobre riscos psicossociais passou a valer com multas? A partir de 26 de maio de 2026, conforme prorrogação estabelecida pela Portaria MTE nº 765/2025. Antes dessa data, a fiscalização era orientativa.
O que são riscos psicossociais, na prática? São fatores relacionados à organização do trabalho que podem afetar a saúde mental dos colaboradores, como sobrecarga, assédio moral, metas abusivas, falta de autonomia e insegurança psicológica.
Quem é responsável pela adequação da empresa à NR-1? Embora a área de Segurança do Trabalho costume liderar o PGR, a adequação aos riscos psicossociais exige envolvimento direto de RH, DP e lideranças, já que a identificação depende de escuta ativa das equipes.
Como começar a mapear os riscos psicossociais na minha empresa? O primeiro passo costuma ser aplicar uma pesquisa estruturada de clima ou bem-estar para entender a percepção real dos times, antes de formalizar o inventário de riscos.
A atualização da NR-1 trouxe os riscos psicossociais para o centro da gestão de pessoas, tornando o cuidado com a saúde mental uma responsabilidade formal, e não apenas um discurso de cultura organizacional.
Empresas que se anteciparem, estruturando escuta contínua e planos de ação bem definidos, saem na frente tanto na conformidade legal quanto na retenção e produtividade das equipes.
Cumprir a NR-1 não é só uma obrigação legal: é uma oportunidade de estruturar, de forma contínua, a escuta e o cuidado com as pessoas.
A solução de Engajamento da Gupy foi pensada para apoiar esse processo do início ao fim:
Empresas que investem em uma gestão estruturada de clima e engajamento registram até 59% de redução no turnover voluntário, com colaboradores engajados apresentando 87% menos chance de deixar a organização.
Quer entender como estruturar a escuta de riscos psicossociais na sua empresa? Conheça a solução de Engajamento da Gupy e veja como transformar dados em ações de cuidado real com as pessoas.