Gerenciamento de riscos ocupacionais: guia prático para RH
Gerenciamento de Riscos Ocupacionais é o processo de identificar, avaliar e controlar perigos no ambiente de trabalho que possam causar acidentes ou doenças aos colaboradores, garantindo mais segurança e conformidade com as normas regulamentadoras.
Desde 26 de maio de 2026, a fiscalização da NR-1 deixou de ser apenas educativa.
Auditores-fiscais do trabalho já podem autuar e multar empresas que não incluíram os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, além de todas as outras categorias de risco já exigidas desde 2022.
Se sua empresa ainda trata isso como "documento que fica na gaveta", esse é o momento de mudar.
Preparamos um guia especial para você manter a sua empresa em conformidade com a NR-1 e criar um Gerenciamento de Riscos Ocupacionais adequado.
O que é Gerenciamento de Riscos Ocupacionais?
O Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) é o processo contínuo de identificar perigos no ambiente de trabalho, avaliar os riscos associados a eles e definir medidas para eliminar, reduzir ou controlar esses riscos, protegendo a saúde física e mental de quem trabalha na empresa.
No Brasil, esse processo é formalizado pelo Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), documento exigido pela Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) desde 3 de janeiro de 2022.
Vale separar os dois termos: GRO é o processo, a lógica de gestão contínua de riscos. PGR é o documento formal que evidencia esse processo, e é isso que a fiscalização pede para ver.
O que a NR-1 exige das empresas
O PGR precisa conter, no mínimo, dois documentos:
Inventário de Riscos Ocupacionais
Reúne a identificação de perigos e a avaliação dos riscos, estabelecendo se são necessárias medidas de prevenção e quais.
Plano de Ação
Define as medidas de prevenção que serão implementadas, mantidas ou aprimoradas para eliminar, reduzir ou controlar os riscos identificados.
Essa obrigação vale para todo empregador que tenha trabalhadores sob o regime da CLT, com duas exceções:
- Microempreendedores individuais (MEI);
- Microempresas e empresas de pequeno porte classificadas nos graus de risco 1 e 2, desde que não identifiquem exposição a agentes nocivos no levantamento preliminar de perigos.
O PGR não é elaborado uma vez e guardado. A avaliação de riscos precisa ser revisada a cada dois anos (ou a cada três anos, para empresas com certificação em gestão de segurança e saúde no trabalho), e também sempre que houver:
- Implementação de novas medidas de prevenção;
- Mudanças tecnológicas ou nas condições de trabalho;
- Inadequações identificadas nas medidas já existentes;
- Ocorrência de acidentes ou doenças relacionadas ao trabalho;
- Mudança nos requisitos legais.
Leia também: O que é a NR-1 e por que ela é importante?
As categorias de risco ocupacional que o RH precisa conhecer
O inventário de riscos organiza os perigos em seis categorias:
Físico
- Ruído;
- Calor;
- Vibração;
- Radiação;
- Outros agentes físicos do ambiente.
Químico
- Exposição a substâncias químicas, poeiras, fumos e vapores.
Biológico
- Contato com vírus, bactérias, fungos e outros agentes biológicos.
Ergonômico
- Posturas inadequadas;
- Esforço repetitivo;
- Mobiliário;
- Organização do trabalho.
Psicossocial
- Sobrecarga de trabalho;
- Assédio;
- Falta de autonomia;
- Insegurança psicológica;
- Outros fatores que afetam a saúde mental.
Acidente
- Riscos de natureza mecânica, elétrica ou estrutural que podem causar lesões.
A gente sabe que cumprir a NR-1 pode ser desafiador. Mas com a Gupy, você consegue atender a atualização da NR-1 em um só lugar.
Identifique, monitore e gerencie riscos psicossociais, capacite colaboradores e promova um ambiente de trabalho saudável. Saiba mais!
Riscos psicossociais: a mudança mais recente e a mais negligenciada
A inclusão explícita dos riscos psicossociais na NR-1 é o ponto que mais pega empresas despreparadas, e a fiscalização punitiva começou em 26 de maio de 2026, conforme a Portaria MTE nº 765, de 15 de maio de 2025.
O contexto que tornou essa mudança urgente é claro: o Brasil registrou mais de 470 mil afastamentos por transtornos mentais relacionados ao trabalho em 2024.
Isso não é mais um tema de clima organizacional isolado, é um tema de compliance com consequência jurídica e financeira direta para o negócio.
Diferente de riscos físicos ou químicos, que podem ser medidos com equipamentos, riscos psicossociais exigem outro tipo de instrumento: pesquisas estruturadas, escuta contínua e análise de padrões de sofrimento, sobrecarga e insegurança psicológica dentro da empresa.
Sua empresa já está em conformidade com a NR-1? Confira agora mesmo no checklist que preparamos para você:
Como estruturar o gerenciamento de riscos ocupacionais na prática
1. Identifique os perigos em cada função e ambiente
Mapeie, função por função e ambiente por ambiente, quais das seis categorias de risco estão presentes. Esse levantamento é a base de todo o inventário de riscos.
2. Avalie e classifique os riscos identificados
Para cada perigo identificado, avalie a gravidade e a probabilidade de dano, classificando o risco como aceitável, moderado ou alto. Essa classificação orienta a prioridade das ações do plano.
3. Monte o plano de ação com hierarquia de controle
Priorize medidas nesta ordem:
- Eliminar o risco na fonte;
- Substituir por algo menos perigoso;
- Aplicar controles de engenharia (ex: ventilação, barreiras físicas);
- Adotar controles administrativos (ex: revezamento, treinamento);
- Usar equipamentos de proteção individual.
4. Estruture o monitoramento de riscos psicossociais
Implemente pesquisas periódicas de bem-estar, segurança psicológica e clima organizacional, com dados segmentados por área e por time, para identificar onde os riscos psicossociais estão concentrados antes que se tornem afastamento ou processo trabalhista.
Leia também: 12 benefícios da pesquisa de Clima e Engajamento da Gupy
5. Documente e mantenha atualizado
Registre inventário de riscos e plano de ação em formato acessível à fiscalização e aos próprios trabalhadores, físico ou digital, e revise conforme os prazos legais e sempre que houver mudança relevante no ambiente ou nas condições de trabalho.
O papel dos dados e da tecnologia na gestão de riscos ocupacionais
Fazer esse processo inteiro de forma manual, principalmente na parte de riscos psicossociais, é lento e impreciso. Tecnologia de RH ajuda em pontos específicos:
Pesquisas prontas e validadas
Existem templates de pesquisa específicos para prevenção de riscos psicossociais alinhados à exigência da NR-1, além de pesquisas de bem-estar emocional e segurança psicológica, o que elimina a necessidade de construir instrumentos do zero.
Identificação automática de pontos críticos
Ferramentas com Inteligência Artificial podem categorizar comentários e respostas para identificar grupos ou setores da empresa com maior risco psicossocial, direcionando a atenção do RH para onde ela é mais necessária.
Sugestão de planos de ação
Além de identificar o problema, algumas plataformas já sugerem ações personalizadas para que RH e lideranças intervenham rapidamente, encurtando o caminho entre o dado e a ação.
Exemplo real: escuta ativa para cuidar de bem-estar
A Mirador, consultoria que usa a solução de Engajamento da Gupy, é um exemplo de como escuta estruturada vira ação concreta.
Durante a pandemia, a empresa usou a pesquisa "Termômetro do Novo Normal" e identificou que as pessoas colaboradoras estavam muito preocupadas com a saúde dos familiares.
A resposta foi buscar apoio de uma empresa de psicólogos para ajudar as pessoas a lidar com aquele momento.
Em outro ciclo, quando a dimensão de bem-estar caiu no dashboard, a empresa descobriu que as pessoas colaboradoras sentiam que não estavam se alimentando bem, e respondeu implementando a "Geladeira da Saúde", com opções de alimentação saudável no escritório.
O resultado foi um time que relatou se sentir mais tranquilo, aberto e cuidado pela organização.
Conheça essas e muitas outras histórias de sucesso de clientes da Gupy!
Os riscos de não fazer gerenciamento de riscos ocupacionais
Multas por não conformidade
A fiscalização punitiva já está em vigor, e a ausência ou desatualização do PGR expõe a empresa a autuações.
Passivo trabalhista
Acidentes, doenças ocupacionais e adoecimento mental ligado ao trabalho podem gerar processos judiciais e indenizações.
Aumento de afastamentos e turnover
Riscos não gerenciados, especialmente psicossociais, se traduzem em afastamentos, queda de produtividade e saída de talentos.
Leia também: Turnover: guia completo de rotatividade de pessoas
Dano à reputação
Empresas associadas a ambientes de trabalho inseguros ou tóxicos enfrentam dificuldade de atração de talentos e exposição negativa.
Checklist prático de gerenciamento de riscos ocupacionais
Antes de considerar o tema resolvido, confira se sua empresa já tem:
[ ]Inventário de riscos ocupacionais atualizado, cobrindo as seis categorias de risco
[ ]Plano de ação com medidas de prevenção definidas e responsáveis nomeados
[ ]Processo de monitoramento de riscos psicossociais com pesquisas estruturadas
[ ]Documentação acessível à fiscalização e às pessoas trabalhadoras
[ ]Calendário de revisão do PGR dentro do prazo legal (2 ou 3 anos, conforme certificação)
[ ]Plano de resposta rápida para quando um risco alto for identificado
Gerenciamento de riscos ocupacionais deixou de ser um item de checklist jurídico isolado.
Com a fiscalização de riscos psicossociais já em vigor, é um tema que precisa estar na mesa do RH, do DP e da liderança, com a mesma prioridade de qualquer outro risco que possa custar caro à empresa e, mais importante, à saúde de quem trabalha nela.
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