Empatia: o que é, como aprender e perceber seus benefícios (Parte 3)

Raylla é psicóloga e atuou na área de pessoas por 10 anos até encontrar a CNV e tornar-se consultora e disseminadora dessa metodologia por diversas organizações e instituições educacionais, como FIA e Esalq.
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4 minutos de leitura

Neste 3º artigo relacionado ao Programa de Comunicação Não Violenta: construindo uma cultura de feedback referência, que temos desenvolvido com a liderança da Gupy, trataremos do tema da empatia ou, também chamada na CNV, de escuta profunda.

E para começarmos pode ser bom você fazer uma pausa de 1 minuto e, quem sabe até fechar seus olhos para se perguntar: “como estou agora? Como estou me sentindo? Do que estou precisando agora?”. Com essa pequena pausa é possível que você tenha mais presença e inteireza para ler e absorver os conteúdos deste artigo.

Então começo te perguntando:

  • O que você acha que é empatia?
  • E o que não é empatia?
  • Você acha que muita gente ao seu redor consegue ser empático?
  • Você se acha uma pessoa empática ou ainda não e tem vontade de vir a ser mais empática?

A resposta clássica que escuto de muita gente é que empatia é se colocar no lugar do outro e que, por estarmos numa cultura que reforça o individualismo e egoísmo, não há muitas pessoas assim ao nosso redor, mas muitas pessoas querem ser mais empáticas e não sabem como.

A boa notícia é que podemos desenvolver essa habilidade e a CNV nos oferece um caminho bem didático e compreensível para seguirmos nesse caminho e aprimorarmos nossa capacidade de, genuinamente, irmos até o mundo do outro e compreendermos sua perspectiva com respeito, ainda que seja bem diferente da nossa.

Mas se muita gente me diz que quer ser empática, sabe a definição desta palavra que está tão na moda e, ao mesmo tempo, não encontra muita gente empática ao seu redor, então precisamos nos perguntar o que acontece que, apesar de desejada/valorizada, essa habilidade não é tão comum ainda. Ou seja, quais são alguns obstáculos à empatia ou escuta profunda? E acho essa imagem bem bacana para despertar algumas reflexões.

Quando o lobo desabafa, os outros cinco animais, exceto a girafa, acham que já entenderam a questão e, movidos pela intenção de resolver o quanto antes, começam a trazer possíveis soluções ou explicações para a situação ou mesmo mudam o foco da atenção para si e começam a contar suas próprias histórias.

Não há nenhuma crítica a esses recursos e, às vezes, são muito eficientes e adequados a uma situação, por exemplo, quando buscamos um nutricionista para nos dar conselhos sobre como nos alimentar de forma saudável. A questão é que em outras várias situações o que nós realmente precisamos é de sermos ouvidos e de alguém que nos faça companhia enquanto vamos ganhando clareza sobre alguma questão de nossa vida, num clima de respeito e não julgamento. É assim para você também?

Um bom jeito de irmos aprofundando a qualidade da nossa escuta é nos propormos a parafrasear ou espelhar, ou seja, a escutar o que é dito, checando com o outro de tempos em tempos se é isso mesmo, para evitar distorções ou mesmo colocarmos coisas nossas no mundo do outro. Essa escuta é comumente chamada de escuta ativa, pois, além de silenciar as minhas próprias questões naquele determinado diálogo, eu vou devolvendo ao outro o que estou compreendendo para ele ter a chance de confirmar se o estou compreendendo bem ou se há algum mal-entendido. Que tal você experimentar e ver os resultados na sua própria vida?

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Dica de escuta ativa

Na próxima vez que você estiver escutando algo mais complexo ou que envolva várias etapas, você pode sintetizar para seu interlocutor o que ouviu dele para checar se compreendeu corretamente ou ainda pedir para alguém espelhar para você o que te ouviu dizer!

Outro jeito é praticarmos a escuta empática proposta pela CNV, que pode ser definida como:

  • Compreender para além do que é dito, com atenção aos sentimentos e necessidades do outro. (Vale lembrar que as necessidades citadas aqui foram melhor explicadas no artigo 2 e se referem àquelas qualidade vitais para todo ser humano, como amor, valorização, consideração, pertencimento, equilíbrio, liberdade, descanso, segurança etc.)
  • Compreender respeitosamente, antes de resolver.
  • Compreender na camada das necessidades humanas universais, mesmo quando eu discordar na camada das estratégias ou dos comportamentos adotados para atender alguma necessidade.

E pode tomar a forma de chutes empáticos, como:

  • Você está (sentimento) porque quer/queria mais (necessidade)?
  • Você ficou (sentimento) porque valoriza tanto (necessidade) e sentiu falta disso nessa situação?
  • Me parece que para você é bem importante (necessidade) e você ficou (sentimento) naquele dia porque não teve tanto disso, é isso?

Dica de escuta empática ou profunda

Quando você quiser compreender melhor seu interlocutor, por exemplo, quando é uma situação que se repete, ou ajudá-lo a ter mais clareza do que se passa com ele, você pode tentar fazer os chutes empáticos acima, lembrando que, mais importante do que a estrutura da sua fala, é sua postura e intenção de realmente querer compreender o outro, e mesmo aquilo que ele nem disse, mas está sentindo ou precisando.

Caso você escolha praticar e se desenvolver nessa arte de empatizar com o outro é bem provável que você perceberá, com o tempo, pois a teoria é simples, mas a prática é bem mais complexa, que tal postura empática trás diversos benefícios, como:

  • Ajuda a ganhar clareza, traz mais lucidez para ações tomadas no presente e, assim, economiza tempo no futuro
  • É uma escuta mais relaxada e com foco em compreender antes de resolver.
  • Diminui reatividade emocional e favorece a nomeação dos sentimentos envolvidos.
  • Favorece a compreensão mútua / quem é ouvido tem mais disposição para ouvir.
  • Vai além da simpatia e é possível quando há divergência, facilitando a real inclusão e diversidade.
  • Fortalece as relações por passar a mensagem “eu me importo com você”.
  • Permite compreender no nível das necessidades e discordar no nível das estratégias, abrindo caminho para diálogos mais construtivos e soluções ganha-ganha.

Então te desejo boas práticas e te deixo a pergunta clássica que você pode se fazer ou fazer ao outro para começar uma escuta genuína: “como você está (agora/ com essa decisão/ com esse cliente/ com este time/ com seu líder / na sua vida pessoal)?”

E logo mais teremos o 4º artigo, em que você conhecerá um pouco como a CNV tem entrado no dia a dia da equipe da Gupy.

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