Leia sobre a série Ídolos do RH com o Mestre Bernardinho 

E a série ídolos do RH desta semana teve uma conversa especial com Bernardinho, que palestrou no HR4results de 2019. O ex-técnico de vôlei e hoje empreendedor e empresário trouxe um pouco de sua vasta experiência para orientar o RH sobre propósito e paixão, além da liderança motivacional para desenvolvimento de equipes. 

Confira a seguir essa incrível entrevista!

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Imagem do palestrante Bernardinho, o ídolo do RH

Como que é a semelhança entre treinar uma equipe de vôlei e uma equipe corporativa?

Eu acho que estamos falando fundamentalmente de gente. Gente que precisa entregar resultados, gente que precisa entender qual é a sua função, sua missão ali dentro, trabalhar em equipe.

Acredito que um gestor, um líder de uma equipe - seja na área corporativa, seja na esportiva - tem absolutamente as mesmas atribuições. Não difere muita coisa. O campo muda.

É uma empresa que trabalha numa área diferente, mas é uma empresa. Você quer dominar o mercado, quer ser o principal player do mercado, ter a melhor equipe, você quer ser eficiente...

Tudo isso que nós queremos com nossas empresas, com nossos times corporativos,  a gente quer no esporte da mesma maneira. O que produzimos são medalhas, são resultados financeiros.

Até a minha empresa, que trabalha com (um lado) social, que não é financeiro: são resultados que geram bem-estar para a comunidade, que não são monetariamente mensuráveis.

No nosso caso, também são títulos, são conquistas, não são monetariamente mensuráveis, mas são igualmente mensuráveis.

Lidar com a pressão também, não é? tanto no meio esportivo quanto no meio corporativo, lidamos com muita pressão.

Como conseguimos lidar com isso de uma maneira mais tranquila, sem impactar tanto o nosso emocional?

Trabalhar num mundo competitivo. Ora, o mundo corporativo é competitivo por natureza e o mundo esporte é a essência da competição. Você compete contra.

A coisa mais importante é ter uma noção clara, auto consciente de que você está ali para fazer o seu melhor, se o seu melhor não é o suficiente para bater o outro adversário.

O sucesso não tem a ver com conquistar, ganhar do outro, tem a ver com ganhar de você mesmo, ser melhor do que foi ontem. Essa é a questão mais importante: a evolução e tal.

Claro que você fica triste quando você perde uma competição, você não bate uma meta. Mas se você viu evolução, se você cresceu, se você realizou bem a sua tarefa, então para lidar com pressão, qualquer um de nós tem que aprendê-la.

A pressão faz parte do ambiente corporativo. Se isso é um elemento de motivação, de inspiração, ou se aquilo é uma forma que te trava, te amedronta.. como é que você lida com isso?

Assim, acho que é muito importante nesse sentido o papel do líder. Porque você vai ter gente que lida melhor com isso, gente que não lida tão bem. Você trabalhar a autoestima de alguns que são importantes na equipe, outros, te desafiar.

Então você precisa entender as características das pessoas e como é que você vai, de uma certa forma, "escalá-las da forma correta" para que você possa lidar com o ambiente que você está inserido.

Você fala muito de uma coisa que trouxe na sua palestra de superação, de sempre aumentar a régua.

Como que você faz isso? Como você consegue manter esse padrão de sempre se superar?

Essa é a grande questão. Estudando sobre o tema, você chega lá. Porém, como é que você se mantém?

Eu acho que o nosso grande erro é pensar em manter. Você não tem que pensar nisso, tem que pensar em crescer. “Não, vou manter essa posição”. Para mantê-la, tem que estar num processo de crescimento anterior.

Para chegar lá, eu tive que crescer. Cheguei, e agora? tem que manter? Então, vou estagnar, manutenção? Não. Portanto, os outros vão passar..para manter, eu tenho que continuar com esse mesmo mindset de crescimento, de evolução.

E combater aquilo que se instaura normalmente entre as pessoas, que é uma certa zona de conforto, virar por inércia e aí, não virar.

Eu brinco dizendo que eu tenho um livro de cabeceira, que é uma brincadeira com um fundo de verdade: chama-se “only the paranoid survive” (apenas os paranóicos sobrevivem) no sentido de você ser paranóico na busca pelo questionamento, na busca do crescimento.

Sempre assim: há alguma coisa melhor para se fazer. Há sempre algum delta para você conquistar. Conquistamos muita coisa, mas tem a próxima conquista que é diferente, num outro ambiente, há um novo competidor.

Se a gente para e olhar e fizer um paralelo com o mundo corporativo, e o que é mais preocupante para o competidor nos dias de hoje: a velocidade que as coisas acontecem, novas tecnologias, formas..

No esporte isso também existe hoje em dia. É mensura, por exemplo e volume de treinamento de uma maneira que não existia no passado, pois era tudo muito intuitivo. Hoje há uma ciência por trás.

Estamos no Brasil, um país que ainda engatinha. Embora ele tenha muitas referências, esbarra quando falamos de tecnologia e inovação e quando comparado com outros grandes centros como Israel e Estados Unidos. A gente precisa realmente não perder esse passo para todas as áreas (e não é diferente no esporte).

Se você pudesse dar uma dica para alguém que quer ter esse mindset de crescimento sempre, de superação, qual seria ela?

Acho que a única forma é assim: encontrar o que você ama fazer, o que você realmente gosta. Eu sou um empreendedor, então você vai querer fazer.

Vou falar um pouco sobre dois pilares de motivação: Um é a necessidade- quando você precisa, você vai correr atrás..necessidade te voa. E o outro é a paixão. Sem esses dois elementos - um dos dois ao menos - a gente não consegue chegar lá.

Ou seja, eu posso ater considerar "quando eu era jovem, eu sou um grande treinador, eu consigo-” e não é verdade. Não consigo.

O que a pessoa tem é oxigênio pra dar, mas se ela não tiver aquela chama lá dentro... Assim, encontre a pessoa que possua o entusiasmo e vontade de fazer e que seja íntegra. O resto a gente ensina.

Acho que são esses valores que realmente importam nos dias de hoje e é isso que eu quero- quando eu olho para o atleta, ele pode ser muito bom, mas se ele não for, de alguma forma, dentro daquilo que eu realmente acredito como sendo a cultura importante do nosso time, o resultado não vai ser aquilo que a gente espera.

Pode até ser, num espaço de tempo efêmero, mas ao longo do tempo, nós precisamos de gente que acredite naquilo que a gente acredita. Senão, não tem jeito.

Sobre paixão e propósito: como é que conseguimos unir a paixão de um colaborador e o propósito dele com o da empresa?

Acho que as pessoas vão na nossa atribuição como RH (porque de certa forma, eu sou o RH no que eu faço). Eu contrato pessoas, convoco pessoas, monto times. E eventualmente, tenho que desligar alguém, trocar, fazer um pouco como o RH orienta, faz e posiciona nossas necessidades agora..

Portanto, será que as pessoas que a gente está selecionando são as adequadas para isso? gostam da nossa área de atuação? tem um propósito semelhante ao nosso? Mostra da contribuição através da tecnologia XYZ?

A pessoa está alinhada com esse propósito ou não? ela quer vir para cá porque é capaz, quer ganhar dinheiro? e propósito é diferente, não há conexão, não vai dar certo no final da história. Tem que haver isso. Uma equipe se forja através dessa unicidade da causa, do propósito, essa é a coisa mais importante- e serve para qualquer equipe. Na área de eventos, esporte, qualquer equipe.

E como treinador, você teve um desenvolvimento muito grande quando se fala em engajar pessoas.

Você tem algum segredo? pode compartilhar alguma dica pra engajar pessoas e equipes?

A coisa mais importante: saber ouvir. Essa é das coisas mais relevantes.

As pessoas falam empatia como sendo se colocar no lugar do outro. É mais do que isso: é entender o outro como um ser diferente, complementar, importante. Então, saber ouvir é uma coisa muito importante.

Dar exemplo, cumprir com o que promete: as pessoas vão acreditar em você e estar com você. O líder não cria liderados, os liderados vem. Mais importante do que ter seguidores é formar novos líderes. Acho que essa é a atribuição maior do líder. Então,difícil dizer qual é.

Esse cara dá o exemplo, ele tá comigo, tá engajado com a minha causa de desenvolvimento pessoal..afinal de contas, um treinador é isso: ele tem que desenvolver aquelas pessoas que estão à sua volta. Essa é minha missão.

Voltei para a faculdade, estou dando aulas. Essa é a missão: vou contar algumas coisas e espero que as pessoas reflitam sobre isso de alguma maneira e isso provoque algum tipo de mudança. Esse é o objetivo maior. E isso me motiva muito: são as coisas que me preenchem. Formatando um novo propósito que não é apenas vencer competições com a seleção, mas vai um pouquinho além. Mais gente.

Pesquisando um pouco sobre você, soube que você tem um projeto de levar o esporte para crianças de comunidade.

O que te motivou a criar esse projeto?

O instituto que eu criei começou há 22 anos atrás, junto com um grande parceiro. Porque não era apenas ter uma equipe de alto rendimento, mas era poder compartilhar (daí surge o instituto Compartilhar) o que o esporte me trouxe com o jovem que não tem essa oportunidade.

Muitas vezes nós, pais e mães, queremos que o jovem pratique o esporte para saber trabalhar em equipe, lidar com derrotas e vitórias..enfim, aprendizados da esporte, como as artes são muito importantes também. E a minha praia é o esporte, então..quando eu chego em um certo momento, cara, o esporte me trouxe tantas coisas que eu jamais esperava conseguir, seja conhecer o mundo, pessoas, conquistar títulos importantes..era preciso compartilhar.

Assim, comecei a trabalhar um projeto e uma das grandes questões hoje é a educação no país- as escolas públicas vão se deteriorando com o tempo...Há exceções, mas a regra é ser algo ruim.

A educação pública se deteriorou ao longo do tempo..evasão escolar altíssima, qualidade do ensino e atividades nas escolas muito ruins, então tenho como pequena contribuição de levar um esporte de qualidade.

Aquilo que eu faço num clube privado por exemplo, é dado para o jovem da periferia na escola pública. E sair um pouco das praças e dos ginásios públicos para a escola, porque é a forma de eu tentar valorizar o espaço da escola, que é o habitat natural da criança.

Com isso, de alguma forma, tentar combater a evasão escolar, gerar motivação naquele jovem. E aí, O Compartilhar surge, mas não é simples mantê-lo: são 3.400 crianças, sendo que já foram mais de 30 mil ao longo desses anos todos.

Jovens que foram para os EUA através do esporte e que se formaram lá. Jovens que são profissionais de várias áreas hoje, inclusive professores. São  "n" exemplos interessantes. Também tivemos algumas derrotas, porque faz parte do processo.. mas o Compartilhar hoje é uma das minhas, digamos, atribuições importantes, pois não é simples manter..

Há dificuldade de conseguir parceiros e tal. Então, eu corro atrás, vou fazendo, porque não dá para colocar um avião lá em cima, botar 1.400 crianças e “acabou a gasolina!” Pula todo mundo. Não tem paraquedas o suficiente.

É uma batalha, mas é compensador quando você vê alguns poucos resultados. E não é fazer um jogador, você até tem jogadores profissionais que saíram de lá, essa é a cereja do bolo, mas o bolo é que você gera o que disciplina..proatividade, ser protagonista da sua vida, tem que fazer, correr atrás...Há a importância da preparação.

O aluno sabe que ele tem que treinar e repetir - repetição é o que dá condição de você realmente fazer bem feito. Ele passa a entender isso de uma forma mais rápida do que o processo de educação, mais lento. Fundamental, porém lento e que dura anos. O nosso é imediato. O cara quer fazer aquele saque igual ao ídolo dele. Se ele não repetir aquilo muitas vezes rápido, ele não vai conseguir..aquilo ali para ele é imediato.

O que que o RH tem que começar a fazer para ser um RH vencedor?

Acho que já faz muita coisa. O RH tem que fazer o que vocês estão fazendo aqui hoje: que é sentar e discutir “nós continuarmos vencendo, crescendo”. É isso que eles tem que fazer.

É um mundo novo, gerações novas. Digo isso aqui porque estou na faculdade dando aula hoje na graduação, na área de empreendedorismo. Liderança empreendedora, noções de liderança para jovens empreendedores.

O que me assusta não são as mudanças do mundo, mas a velocidade com que elas acontecem. Gerações mudam, são diversas. Como a gente lida com isso e conseguem engajá-las, motivá-las?

São pessoas que se engajam pouco, que não querem mais a posse de alguma coisa, querem poder se usufruir de coisas, experiências mais efêmeras...

Como que a gente consegue trazê-las? essa é uma pergunta que não tem uma resposta precisa. “Sim, vamos fazer”. É um exercício. E é uma troca de informação de pessoas. E o bacana é você ter aqui uma junção de pessoas mais ou menos experientes, com vivências das mais diversas áreas, com o único propósito: fazer com que as pessoas dentro das empresas e instituições sejam cada vez melhores e cada vez mais eficientes, podendo dar a contribuição para isso.

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Tatiana Fernandes | GUPY

Tatiana Fernandes | GUPY

Formada em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e com especialização em marketing digital pela ESPM, Tatiana é Analista de Conteúdo da GUPY e apaixonada por trazer novos materiais sobre Recursos Humanos que ajudem a transformar a área, gastronomia, trilhas sonoras e filmes.